A igualdade desigual

Construir uma sociedade mais igualitária para todos, onde o preconceito seja totalmente banido, é um dever de todos, mas, por mais que algumas marcas e pessoas digam não a toda forma preconceituosa de agir e pensar, ainda estamos muito longe de alcançarmos um patamar em que todo Ser seja respeitado.

Focando mais especificamente no segmento LGBTS, vemos claramente que ainda existe um preconceito muito grande em relação às pessoas pertencentes a ele, e, as marcas, por sua vez, ainda não saíram 100% do armário.

Infelizmente, muitas pessoas e até empresas tratam o tema de forma pejorativa, ou até mesmo discriminatória. Algumas marcas têm receio, outras até medo, de criar uma comunicação específica para os gays.

bandeiragayIsso acontece, pois o Brasil segue dogmas estabelecidos pelas religiões. Muitas pessoas e várias regiões do País ainda são conservadoras, até por parte de alguns políticos há uma grande discriminação contra os homossexuais.

Outra reclamação do público é a respeito de produtos personalizados, cartões de Natal, aniversário, Dia dos Namorados, são um problema para eles, não encontram mensagens específicas, sempre uma troca de “carinho” para um relacionamento heterossexual.

Querem também exclusividade, eles sabem que muitas marcas criam coleções específicas e dirigidas para o segmento, mas na hora de comunicar elas não traduzem esse “espírito”.

Vale lembrar que o mercado gay é pouco explorado, com um gigantesco potencial, mas muitas organizações esquecem que o preconceito é o maior inimigo da oportunidade e acabam evitando uma aproximação maior com o consumidor homossexual.

São Paulo possui um dos maiores eventos gay do mundo, a popularmente conhecida como “Parada Gay”, dispõe de locais como a Rua Frei Caneca e o Largo do Arouche, que são muito frequentados e bem quistos por esses consumidores.

No entanto, esse público não quer mais apenas “espaços especiais” para eles. O que estão em busca é de serem tratados como uma pessoa qualquer, ou seja, ter o direito de ir e vir sem ser taxado de “diferente”.

Marcas Saindo do Armário

As empresas decidiram enfrentar o preconceito e a resistência e promoveram a diversidade sexual em campanhas publicitárias no Dia dos Namorados em 2015.

Além dos costumeiros casais heteros, agora os gays também apareceram com destaque – muitas vezes como uma boa surpresa – em peças recentes de marcas importantes, como O Boticário e Curaprox.

Campanha do O Boticário para o Dia dos Namorados.

Campanha do O Boticário para o Dia dos Namorados.

Nas redes sociais, a reação dividiu os seguidores em relação ao comercial do O Boticário. Houve revolta e comentários homofóbicos sobre o vídeo, visto por mais de um milhão de pessoas em pouco mais de cinco dias.

Até uma página no site ReclameAqui foi criada, pedindo o boicote da empresa e a retirada da propaganda do ar. A marca não recuou e reforçou a intenção de promover diferentes tipos de relacionamento na campanha intitulada “Casais”.

No entanto, recentemente, em uma reportagem sobre o assunto em um programa de TV, a marca se recusou a dar o seu posicionamento sobre o seu comercial. Pergunta: será que O Boticário saiu realmente do armário e foi em busca da igualdade, ou tudo não passou de uma estratégia de marketing, a qual, agora, pairam dúvidas de que se valeu a pena?

Ainda em fase de lançamento, a nova linha de escovas de dentes da Curaprox segue o mesmo propósito. Na campanha, a ideia de “juntar as escovas”, expressão popularmente ligada o matrimônio, foi associada a todas as formas de relacionamento.

Além da tradicional combinação entre azul e rosa, escovas azuis e rosas são vistas lado a lado – uma sutil referência ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.

curatox escovas iguais

As campanhas do Dia dos Namorados seguem uma certa tendência do ramo publicitário. Empresas como a Sonho de Valsa, Coca-Cola, GOL Linhas Aéreas, Tiffany e Natura já haviam aderido à causa e mostrado casais gays em situações de afeto, antes evitadas na televisão.

cocacola na holanda

Essas campanhas são, sem dúvida alguma, muito bem-vindas. Porém, é preciso que não fiquem restritas apenas aos comerciais de televisão. Está na hora de ações de live marketing começarem a ser realizadas em prol do público gay.

Enquanto as ações da defesa pela igualdade de gênero ficam restritas apenas à telinha da TV e vídeos no YouTube, fica mais difícil de mensurar se realmente está havendo uma maior compreensão por parte da sociedade para dar um fim ao preconceito.

É ao vivo que a verdade realmente aparece! Por enquanto, a igualdade está muito desigual.

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