Eu estou saindo do mercado!

Confesso a vocês que lendo o noticiário por aí, nos últimos dias, uma pergunta me assola, desde então, o pensamento. Aí, quinta–feira passada, piorou, e minha cabeça não parou mais: Quando é a hora de pararmos? De sairmos de campo? Me pergunto deste então.

Antigamente, eu achava que ser referência no mercado de live marketing, ser bom no que se faz, produzir resultados e grandes cases, criaria, para quem o fizesse, aquela aura de se transformar em necessidade e desejo corporativo que moldou homens como o Steve Jobs, por exemplo.

time executivo

Mas não. No País dos medíocres, palavra aqui aplicada na sua mais sublime significação – medianos, ser bom pode ter virado crime cujo castigo pode ser o isolamento ou a indiferença.

No País dos coxinhas e mãozinhas, que vivem uma dialética que não importa, e nem sei mais se existe de fato, em momentos de crise, pois que nenhum País suporta a mediocridade dos gritos e agressões fanáticas, quando o que é importante é produzir e gerar empregos, ser bom é uma ofensa.

Na quinta passada, li que o Marcelo Serpa e o Zé Luiz Madeira haviam simplesmente anunciado suas saídas da AlmapBBDO. Pensei: Isso deve ser mais uma das “putas” sacadas do Marcelo. Vou ligar pro Gaetano pra saber qual é (falo do meu amigo Gaetano Lops da Gael, empresa que hoje é o braço live da Almap.).

Não era sacada nenhuma. Eles realmente saíram.

Caramba. O que está acontecendo? Será a crise?

Me dei conta que, antes da crise, figuras importantíssimas do mercado da Comunicação também seguiram o mesmo caminho.

Celso Loducca saiu da agência que tinha o seu nome, o Eduardo Lima deixou a direção-geral de Criação da F/Nazca S&S, depois de 21 anos de sucesso, e o meu querido e grande redator Adilson Xavier saiu, tempos atrás, da Giovanni FCB.

E aos que pensam que isso só acontece na Publicidade, esqueçam. Há os que saem de cena e muita gente não vê no nosso mercado live. Marcel Sacco saiu da Holding Club num momento especial dela, por exemplo.

Como pode um mercado como o nosso deixar de ter um Dil Mota à frente da Criação de uma agência ou a minha querida Elza Tsumori não ser um nome cogitado a toda hora para ser um player importante das grandes agências que temos?

Vejam, nenhum desses nomes está parado, desempregado ou ocioso. Não é isso que estou colocando aqui. O que coloco é como eles podem sair de cena e o silêncio ser a resposta do mercado?

Tirando o oba oba que a mídia faz, alguém se perguntou o que está acontecendo para que grandes nomes de nossa Comunicação escolham outros caminhos, onde certamente vão brilhar?

Não é um desperdício de talento e sucesso? Não é meio que entregar o ouro a um bandido que pode ser nosso concorrente?

Então, em time que está ganhando se mexe?

Zé Luiz Madeira, num brilhante texto ao mercado, coloca que, um dia, ao ser perguntado quem ele gostaria de ser, respondeu, sem titubear: Pelé.

Indagado sobre o porquê da escolha, ele disse: “Queria ter a sabedoria do Rei de saber deixar sua atividade quando ainda poderia continuar jogando, enquanto ainda era desejado.”

Gustavo Bastos e José Guilherme Vereza assustaram a gente com sua genialidade ao fazerem um anúncio de oportunidade, informando ao mercado que “Gustavo Bastos e José Guilherme Vereza anunciam que não largam o osso.”

A gente anda assustado e achamos que eles sairiam da 11:21, genial empresa do Rio de Janeiro, que muito me lembra meus bons tempos de Doctor, com o Marcos Silveira… opa, outro que largou o osso.

Não sei, mas há algo por trás disso. Não se pode dispensar genialidades e competência sem um bom motivo.

Sei do amadorismo e da “juniorização” dos clientes. Sei da empáfia e o “pseudopreparo” dos jovens criativos e planners do mercado e até da má vontade de todo mundo com os “velhos” – é assim que chamam a gente, depois de aplaudir uma de nossas aulas, palestras ou mesmo apresentação interna de um projeto. Ok.

Mas a mediocridade que assola o mercado tem prazo de validade e caminho certo, pois que os clientes de verdade, não as marionetes que dizem falar em seu nome, vão cobrar resultados e respostas que muita gente por aí não saberá dar.

Mas, enquanto isso, no mundo real, da crise nossa de cada dia, o medo e as agências assombradas e dos funcionários baratos vão se metamorfoseando kafkamente nas baratas, que alguém vai pisar…

Talvez seja isso. Eles não querem ser pisados. Não querem macular sua história e encontraram caminhos novos que vão tocar e surpreender todos, como Steve.

O que faço eu agora, me sentindo sozinho?
Fala aí Dil Mota, o que devo fazer? Em qual lugar a gente se encontra, toma uma, fala de coisas legais e diferenciadas e, quem sabe, surge com novidades?

É que estou saindo do mercado…

Ah e já comprei a cerveja e os salgadinhos.

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